O fluxo de pensamento, no qual se configura o sacrifício do discurso, é a fuga da linguagem de sua prisão

11/02/2011

“Dos pretendentes a Morte eles ambos, ali, combinaram.
Voltam, depois, para a bela cidade. A saber, Telêmaco foi
antes do pai, pois Odisseu se atrasou por vontade.”

Este “a saber” mantém, em virtude da coerência, a forma lógica da explicação ou da afirmação, enquanto o conteúdo da frase, uma declaração puramente expositiva, não é coerente com a frase anterior. No minúsculo contra-senso da partícula de coordenação, o espírito da linguagem narrativa, lógico-intencional, colide com o espírito da representação sem palavras, da qual se ocupa essa linguagem, e assim a própria forma lógica da coordenação ameaça enviar os pensamentos que nada coordenam, e que na verdade não são pensamentos propriamente ditos, para o exílio de uma região onde a sintaxe e a matéria se perderam uma da outra. A matéria reforça sua supremacia ao mentir para a forma sintática que pretende abarcá-la.

2 Respostas para “O fluxo de pensamento, no qual se configura o sacrifício do discurso, é a fuga da linguagem de sua prisão”

  1. Rastaman Diz:

    é por isso q sou fã deste blog! Muito legal.

  2. Renan Viani Diz:

    Simplesmente genial.


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