O fenômeno teatral
20/09/2010
Disfarçados (mal ou bem) seria possível andar, agir, todos tão bem, ou eu que percebo mal, dizíamos nossas coisas e palavras, seguros nas raízes. Nos encontrávamos, bebíamos, antes saíamos para o trabalho; casados, flertávamos sem intenções, mas logo o etéreo se firmava na reciprocidade dos olhares e dos sorrisos, seguíamos em frente – aqui caía um pouco do nosso disfarce. E então seria preciso se disfarçar duplamente, triplamente, quantas as camadas.
Mas às vezes o disfarce não poderia caber de todo e, sendo preciso ensaiar mais, perdíamos na andança a dimensão das próprias rédeas. O disfarce é a coberta grande demais, curta demais, esfiapada, não coincide consigo. E mesmo assim serve-se dele como de uma arma, ainda que não se saiba usá-la e à distância de um passo converte-se em mediadora do corpo nos próprios escombros. Pois (a título de metáfora) uma roupa vazia é uma roupa vazia, mas um espírito nu até no espelho ecoa o abismo prévio de sua desimagem.
31/10/2010 às 11:30 PM
bom isso.
07/01/2011 às 7:41 PM
ATUALIZA! ATUALIZA! ATUALIZA! rs
abraxxxxxxx
11/01/2011 às 4:46 PM
ahhh, rsrs, fico feliz pelo seu comentário! mas por enquanto estou vazia de ficção
Só na crítica. Mas quem sabe eu não comece a colocar ensaios aqui?!
24/01/2011 às 9:40 PM
Nossa, muito bom isso…
Parabéns pela sensibilidade…
25/01/2011 às 10:33 AM
puxa, obrigada pela leitura e pelo comentário
12/03/2011 às 10:41 PM
o disfarce é a coberta grande demais, curta demais, esfiapada. indeed.