O fenômeno teatral

20/09/2010

Disfarçados (mal ou bem) seria possível andar, agir, todos tão bem, ou eu que percebo mal, dizíamos nossas coisas e palavras, seguros nas raízes. Nos encontrávamos, bebíamos, antes saíamos para o trabalho; casados, flertávamos sem intenções, mas logo o etéreo se firmava na reciprocidade dos olhares e dos sorrisos, seguíamos em frente – aqui caía um pouco do nosso disfarce. E então seria preciso se disfarçar duplamente, triplamente, quantas as camadas.

Mas às vezes o disfarce não poderia caber de todo e, sendo preciso ensaiar mais, perdíamos na andança a dimensão das próprias rédeas. O disfarce é a coberta grande demais, curta demais, esfiapada, não coincide consigo. E mesmo assim serve-se dele como de uma arma, ainda que não se saiba usá-la e à distância de um passo converte-se em mediadora do corpo nos próprios escombros. Pois (a título de metáfora) uma roupa vazia é uma roupa vazia, mas um espírito nu até no espelho ecoa o abismo prévio de sua desimagem.

6 Respostas para “O fenômeno teatral”

  1. paula. Diz:

    bom isso.

  2. Rastaman Diz:

    ATUALIZA! ATUALIZA! ATUALIZA! rs

    abraxxxxxxx

    • Bruna Diz:

      ahhh, rsrs, fico feliz pelo seu comentário! mas por enquanto estou vazia de ficção :( Só na crítica. Mas quem sabe eu não comece a colocar ensaios aqui?!

  3. Stenio Diz:

    Nossa, muito bom isso…
    Parabéns pela sensibilidade…

  4. flávia Diz:

    o disfarce é a coberta grande demais, curta demais, esfiapada. indeed.


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